• Gabrielle

ANAVILHANAS JUNGLE LODGE: Hotel na Selva Amazônica

Atualizado: 16 de Jul de 2018



Sempre tive vontade de conhecer o mundo, cada cantinho, cada cultura... Conhecer a Floresta Amazônica sempre esteve nos meus sonhos, mas em sonhos distantes, pois imaginava ser inviável os custos de uma viagem desta. Estava muito enganada! Fui convidada para o casamento de uma grande amiga em Boa Vista/Roraima, em setembro de 2015. Foi a oportunidade perfeita para uma esticada pela Amazônia. Já ia para o norte mesmo, o que custava ficar mais alguns dias?  Foi quando fiz uma das escolhas mais certas da minha vida, passar alguns dias em Manaus (post aqui) e, mais especialmente, em Novo Airão, no hotel de selva Anavilhanas Jungle Lodge.


Essa foi uma das viagens mais legais que fiz, inesquecível! Se soubesse disso, já teria feito antes. Hoje estimulo todos com quem convivo a conhecerem a Amazônia, especialmente o Anavilhanas Jungle Lodge. O hotel é lindo, com um ar de paraíso escondido, o atendimento é ótimo, sem ostentação ou luxo, mas moderno e jovem, com a maioria dos funcionários da região mesmo.


A estrutura é super sustentável e há uma cultura de respeito ao meio ambiente muito forte entre os funcionários e hóspedes. A grande maioria dos hóspedes é gringa, pouquíssimos brasileiros, triste saber que um lugar tão lindo quase não é aproveitado por nós, brasileiros. Os passeios que são oferecidos no pacote são demais. Curtimos muito, todos! Os guias são índios ou caboclos, o que deixava muito mais completas as histórias e explicações sobre o lugar. 


O destino é deslumbrante, a Floresta Amazônica tem uma imponência que surpreende, a mata, os rios, tudo tão grande, extenso, a perder de vista... Em meu primeiro contato com a Floresta fiquei muito encantada e emocionada (caiu um cisco no olho rsss) com a grandiosidade do que estava vendo e com a perfeição de Deus na criação da natureza. 



HOTEL



Alguns dados do hotel (experiência própria e pesquisados na internet):


  • Localização: fica em frente ao Parque Nacional de Anavilhanas, às margens Rio Negro.

- O Parque Nacional de Anavilhanascompreende mais de 400 ilhas inexploradas no Rio Negro e é área de proteção ambiental. Algumas áreas só podem ser acessadas com autorização do IBAMA/ICMBio. Nosso guia, de um dos passeios contou que índios vivem totalmente isolados em algumas ilhas e são muito resistentes à entrada de estranhos. Não aceitam.

- Rio Negro: por mais incrível que pareça, quase não tem mosquitos por lá, pois o PH do Rio Negro inibe a proliferação de insetos.


  • Clima: a Amazônia tem um clima bem peculiar, dividido entre épocas de cheias e de secas, mas com clima quente e úmido o ano todo, com temperaturas entre 25º e 40º C.

- Época de cheias: de Dezembro a Maio (ponto máximo em Junho) as chuvas são intensas e o volume do Rio sobe bastante, inundando a Floresta e formando inúmeros Igapós ( = Floresta inundada).

- Época de secas: de Junho a Novembro as chuvas diminuem e o rio baixa, deixando a terra firme da Floresta novamente à mostra.

- Vários blogs e agências de viagem dizem que ambas as épocas são ótimas para conhecer o Amazônia, seja para ver a Floresta seca ou inundada, o que é lindo em qualquer caso.

- Eu não gosto muito de viajar com chuva, então foi ótimo ter ido em Setembro, porque não choveu nenhum dia. Ainda por cima, conseguimos fazer uma trilha na mata, que foi muito legal e seria impossível na época de cheia, pois a região estaria inundada.


  • Distância de Manaus:180 km de Manaus. O percurso de carro leva +- 3 horas, pois a estrada é péssima, mesmo sendo asfaltada, tem muuuuito buracos e até algumas crateras na rodovia rsss.


  • Chalés: o Anavilhanas Jungle Lodge possui 16 chalés, que são as casinhas menores (eu fiquei em um chalé, fofo e super aconchegante, com varanda telada para a mata); 4 bangalôs, que são maiores que os chalés e; 2 bangalôs panorâmicos.


  • Sistema All Inclusive: como o Anavilhanas Jungle Lodge é bem isolado, longe de mercadinhos, restaurantes e afins, tudo que o hóspede precisa está incluído no pacote: café-da-manhã, almoço, lanche da tarde, jantas, traslado de/para Manaus, passeios, água na fonte...


  • Lazer: além dos passeios, a estrutura do hotel é demais, conta com uma piscina linda, mirante (acima da copa das árvores), sala de TV (não tem TV no quarto, mas nem senti falta), sala de jogos, flutuante com deck para o Rio Negro. A wi-fi só pega na recepção e meio mal, então o negócio é desconectar mesmo.


  • Preço: o valor cobrado é por pessoa (não por quarto) e depende da quantidade de diárias. Não é barato à primeira vista, mas vale cada centavo, especialmente porque tem tudo incluído (e os passeios, se feitos por fora, também não são baratos). O valor do pacote é divulgado no site.



GASTRONOMIA


O hotel oferece todas as refeições, com muita variedade e sabor (!!): a comida é deliciosa, com ingredientes regionais e selecionados, muito açaí, tapioca, peixes da Amazônia, mas também comidas normais, filé mignon, chocolate... é um sistema all-inclusive bem diferente dos bandejões de alguns resorts all inclusive brasileiros. Oferece 4 refeições por dia: café-da-manhã + almoço + lanche da tarde (bolo e sucos) +janta, tudo sempre variado e raramente repetido. Que saudade daquela comida...




LAZER


Na estrutura do Anavilhanas Jungle Lodge tem várias opções de lazer para quando não estamos fazendo os passeios. Tem mirante para a Floresta, redário, sala de TV, chalés super charmosos, piscina e o Rio Negro bem em frente, que pede alguns mergulhes.



Mergulho no Rio Negro


No começo, deu um medinho pular no Rio Negro. Esperei até o segundo dia, pois à noite tem jacaré e de vez em quando aparece botos por ali. E como a água é negra mesmo (faz juz ao nome), foi meio cabuloso o primeiro mergulho, mas é muito gostoso e os funcionários pulam direto nos dias de folga, dizem que de dia e perto do deck é seguro. A água é geladinha na medida certa e fora que é uma experiência que talvez eu não terei a oportunidade de repetir um dia, então me joguei mesmo!





Deck para o Rio Negro


Nas fotos acima dá para entender como é o deck para o Rio Negro, de onde pulamos no rio. Ele é flutuante e sobe/desce, de acordo com o nível do rio. É o lugar perfeito para assistir o pôr-do-sol, ler um livro ou ficar fazendo nada olhando a paisagem.



Mirante para a Floresta


A vista do mirante, que fica acima da copa das árvores, é linda. Dali se vê a imensidão da Floresta, do arquipélago e do Rio Negro. A vista do pôr-do-sol e do anoitecer é especialmente linda!



Piscina


A piscina do hotel fica bem no seu centro, mas escondidinha na mata. Quem está no Rio Negro não consegue enxergar o hotel, muito menos a piscina. A vista é linda, borda infinita para o rio! E como o hotel não tem muitos chalés e vários hóspedes acabam ficando mais no rio, a piscina está quase sempre vazia ou com pouca gente. Alguns dias tinha mais pessoas no Rio Negro do que na piscina rsss, mas ela também é muito gostosa!



PASSEIOS


Além da gastronomia e dos espaços de lazer, o Anavilhanas Jungle Lodge oferece diariamente 2 a 3 passeios por dia, que variam de acordo com a quantidade de diárias escolhidas no pacote. No site deles tem tudo bem explicado. Nós fizemos estes:



Tour de Reconhecimento pelo Arquipélago de Anavilhanas



No primeiro dia, cruzamos a margem do rio e nos embrenhamos pelo meio do arquipélago e dos igarapés em uma lancha pequena, para conhecer a geografia do local...



Canoagem pelos Igapós e Igarapés



Em uma canoa pequena para 2 pessoas é feito o passeio por dentro dos Igapós (floresta inundada) e Igarapés (braço do rio). Tem que remar bastante. Para nós, não foi uma dificuldade, pois tínhamos ganho uma prancha SUP há alguns meses e estávamos treinadinhos no remo, mas um casal de portugueses que saiu para remar conosco quase entrou nas árvores e na margem várias vezes rsss, logo pegaram o jeito!



Trilha na Mata



Em uma das manhãs fizemos uma trilha pela mata para conhecer a fauna e a flora amazônica bem de pertinho. Obrigatoriamente deve ser usado calça e perneira de couro para o caso de uma cobra tentar picar nossa perna, o que não aconteceu conosco. Aliás, nem vimos cobra! Na época que fomos, a seca ainda não tinha atingido o pico máximo, então não vimos muitos animas. É que na época de cheia, muitos animais migram para outros locais, pela escassez de alimentos, principalmente sementes, que ficam inundadas.


Vimos algumas aranhas enormes, mas nem dá medo, porque elas fogem para a toca com nosso barulho, sentem-se ameaçadas.


O guia que nos acompanhou era um caboclo nascido e criado na região. Conhecia tudo, histórias, lendas, nome de todas as plantas e animais... um verdadeiro professor de história e geografia amazonense!



Pescaria Recreativa de Piranhas



Outro passeio que fizemos foi a pesca recreativa de piranhas. Elas são devolvidas ao Rio! Só que é muito difícil pesca-las. Elas são mais espertas, roubam a isca e não mordem o anzol, tem que ter experiência e jeitinho com o anzol para prender a piranha. Eu não consegui pegar nenhuma!


A parte mais legal deste passeio foi quando estávamos parados em um igarapé pescando e, quando olhamos para cima, tinha um bicho-preguiça tirando um cochilo bem em cima. Ele demorou para acordar (aquele preguiçoso!!), faz mesmo jus ao nome, estava igual uma bolinha dormindo. Quando acordou, ficou todo dengoso e molenga nos observando, bem de boa! Coisa mais fofaaaaa! Dá vontade de esmagar e levar para casa.




Focagem Noturna



A focagem noturna é um passeio muito legal. Saímos no meio da noite, na escuridão total, sem nenhuma luz artificial, a não ser por uma lanterna que era acesa somente quando os guias enxergavam algum animal.


As sensações durante o passeio são bem intensas, ansiedade, medo, expectativa... Durante a focagem, é possível ver jacarés (eu não vi nenhum, pois fica só o olhinho dele de fora), bicho-preguiça, coruja, sapo, aranhas enormes... É um passeio único e inigualável!



Visita aos Botos e Artesanato em Novo Airão



Uma das nossas tardes foi reservada para a visita aos botos e ao artesanato de Novo Airão. 

Neste dia, nosso guia era um índio que veio para a civilização para estudar, já adulto. Ele aprendeu inglês e atualmente fala fluentemente com os hóspedes estrangeiros. O mais legal é que as histórias que ele nos contou eram baseadas em sua própria experiência. Uma destas é bastante conhecida, embora eu sempre achasse que fosse apenas lenda.


Segundo o guia, antigamente se criou uma história na Amazônia de que os botos encantavam as mulheres, as levavam para o rio e as engravidavam. Elas voltavam grávidas para casa e os pais e maridos ficavam furiosos com os botos. Por conta disso, se criou uma cultura de matança aos botos. Para o povo, quanto menos botos existissem, menores as chances deles engravidarem suas filhas e mulheres. Nosso guia falou que todos eram inimigos dos botos, ele próprio acreditava na história e já matou alguns. Até que alguns defensores dos animais foram mostrando a realidade ao povo, junto com outras poucas pessoas que não acreditavam na lenda do boto encantador. Aos poucos e graças a Deus, as pessoas começaram a enxergar que a lenda não era verdadeira. Atualmente, muitos (como o nosso guia) se sentem tristes pelo que fizeram com estes animais.


Ouvindo toda esta história, que para mim pareceu esdrúxula, fiquei pensando em quem foi a mulher que pulou a cerca e botou a culpa no boto, e quem foi o marido ou pai cego que acreditou rsss, tem que rir para não chorar rsss.



Depois da visita aos botos, fomos conhecer a cidadezinha de Novo Airão, a mais próxima do hotel. Quando chegamos ao centrinho foi muito engraçado, todos os prédios públicos eram rosa, a escola, o postinho de saúde, a prefeitura rssss... nosso guia disse que a Prefeita da cidade amava rosa.


Por lá, conhecemos uma instituição, a Fundação Almerinda Malaquias, que trabalha com reaproveitamento de madeiras descartadas da construção naval, ensinando o ofício da marcenaria e profissionalizando a população do município.


Eles fazem verdadeiras obras de arte, como estes bichinhos da foto. E o mais legal é que o hotel Anavilhanas identifica cada chalé por um destes animais de madeira feito na Fundação Almerinda Malaquias (o nosso era o jabuti), e esse animal sempre é usado para identificar o hóspede. Na porta do chalé tem uma animalzinho, no restaurante, nossa mesa é identificada com nosso animal... achei bem criativo e uma forma de incentivar a Fundação, pois vários hóspedes acabam querendo comprar seus animaizinhos - nosso caso!


Além dos bichinhos, a Fundação faz também sabonetes com aromas típicos da região e o hotel coloca estes mesmos sabonetes no banheiro/pia do chalé para os hóspedes se deliciarem com o cheiro maravilhoso.



Contemplação do Nascer do Sol



Último dia... já estávamos tristes por ter de deixar o paraíso!


Para o último dia, nos foi agendado o passeio de contemplação do nascer do sol. Levantamos cedinho, era noite ainda. Partimos em algumas lanchas com teto para o meião do arquipélago, ainda sem muito imaginar o que estava nos aguardando.


A medida que o sol vai nascendo, o espetáculo da natureza começa. Que coisa mais linda! As cores do céu mudam a cada minuto, o passeio começa com um azul escurão quase preto, que vai ao roxo, depois ao rosa, ao laranja e então para uma amarelo bem vivo, não dá nem para piscar. É difícil decidir entre apenas aproveitar o momento ou tirar 1 milhão de fotos.


Além do céu, também o rio vai mudando de cores, refletindo cada novo tom em suas águas.

Com o clarear do dia, os pássaros também acordam e saem em revoada. Passou sob nossas cabeças uma família de papagaios, livres, leves e soltos, como toda ave deveria estar.


Eu fiquei bem impressionada com o show, é lindo demais, impossível colocar em palavras a emoção sentida, fica apenas na lembrança... me peguei agora, enquanto escrevo, sorrindo ao lembrar desta experiência surreal. Já tinha visto nasceres do sol no mar, na montanha, mas no rio foi algo muito diferente e lindo.




RESUMO DA VIAGEM: amei tudo e elegi esta uma das viagens mais legais que já fiz na vida, fiquei muito surpreendida e encantada com a beleza e imensidão da Amazônia, do Rio Negro... me senti realmente no paraíso, tanto pelo lugar, pela natureza, como por tudo que o Anavilhanas Jungle Lodge oferece, pelos passeios e comidas, inesquecível! Foram dias muito felizes. Quando voltei, passei a dar mais valor para o turismo de natureza, do que para o turismo de cidade, esta viagem ficou marcada como uma virada na forma como vejo o turismo e agora, não vejo a hora de conhecer lugares com natureza ampla e paradisíaca, em suas inúmeras formas.


ARREPENDIMENTO: não ter voado no hidro-avião para ver todo o arquipélago de cima, mas infelizmente não cabia no nosso bolso naquele momento :(  Mas um dia, quem sabe, eu volto e vejo tudo de cima desta vez. Deve ser lindo!



SOUVENIR ESCOLHIDO


E o nosso souvenir, que sempre trazemos de viagem, para compor a decoração da casa, foi..



... o lindo jabuti de madeira da floresta, feito a mão em Novo Airão, que era o animal que representava nosso chalé no Anavilhanas Jungle Lodge, marcava nossa mesa no restaurante e nos acompanhou em todas as refeições e em outros momentos especiais. Hoje, ele fica embaixo/frente da nossa TV da sala.

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