• Gabrielle

ALTA: a cidadezinha norueguesa que nos apresentou à Aurora Boreal



Alta é o nome de uma pequena cidade no extremo norte da Noruega, no Círculo Polar Ártico, com pouco mais de 20.000 habitantes, sendo 5 habitantes por km2. Ela não estava em nosso roteiro original, mas acabou entrando meio que no desespero rsss.


Alta fica 6h distante de Saariselkä, na Finlândia, onde estávamos passando alguns dias.


>>> Veja aqui o post com o clipe da nossa viagem à Lapônia


>>> Veja aqui o post de nossa estadia na Lapônia Finlandesa, na cidade de Ivalo


>>> Veja aqui o post de nossa estadia na Lapônia Finlandesa, na cidade de Saariselkä


>>> Veja aqui o post de nossa estadia na Lapônia Finlandesa, na cidade de Rovaniemi, a Terra do Papai Noel


>>> Veja aqui o post sobre nossa visita à Santa Claus Village e ao Papai Noel de verdade


Quando eu cheguei em Saariselkä, na Finlândia, estava muito ansiosa para ver a Aurora Boreal. Presenciar as Luzes do Norte sempre foi um grande sonho que, quando mais nova, achava ser difícil concretizar, pela distância do Brasil, diferença de temperatura/frio extremo, preço, dentre vários outros fatores que tornam este um destino quase nada tradicional. Mas a vontade, embora sem grandes expectativas, sempre permaneceu latente no meu coração.


Então, quando eu estava, enfim, acima da Linha do Círculo Polar Ártico, em fevereiro de 2018, com todos os elementos convergindo para a realização do meu sonho, a expectativa e ansiedade tomaram conta...

Eu havia feito inúmeras pesquisas em blogs e sites oficiais sobre a Aurora Boreal, todos unânimes em expor a imprevisibilidade das luzes, que poderiam aparecer por vários dias seguidos ou passar outros inúmeros escondidas. Tanto, que todos estes sites recomendavam não viajar com o único objetivo de ver a Aurora, mas sim, conhecer o destino em si, com todas as várias opções que ele oferece, como passeios, atividades, experiências, gastronomia, natureza, etc.


Eu tentei convencer a mim mesma que estava indo para a Lapônia Finlandesa (cidade de Saariselkä) pelo destino, mas não vou mentir, 98% do meu coração ansiava pela noite e pela oportunidade de realizar o sonho antigo.


Ver as luzes do norte não é tarefa fácil. São inúmeros fatores que devem confluir para isso. O mínimo essencial para a visualização da Aurora é Localização x Escuridão x Céu Limpo x Atividade Solar:


  • LOCALIZAÇÃO 1: estar no Pólo Norte ou Sul, onde fica o campo magnético da Terra e para onde os ventos solares são atraídos pelo magnetismo;

  • LOCALIZAÇÃO 2: estar distante das luzes artificiais das cidades, que ofuscam a luminosidade da Aurora (tal como ofuscam a luminosidade das estrelas);

  • ESTAÇÃO: ser inverno, pois no verão o sol praticamente nunca se põe (há até o sol da meia-noite) e, sem escuridão não é possível ver as luzes (no início do outono e final da primavera, quando voltam as noites escuras, também é possível ver as luzes, mas no inverno a noite é mais longa);

  • TEMPO: o céu deve estar aberto/limpo (não pode estar nublado, chovendo ou nevando)

  • ATIVIDADE SOLAR: a atividade solar deve estar moderada a forte


Em nossa primeira noite em Saariselkä, as chances de Aurora Boreal estavam boas, o céu estava estrelado (obaa!); a atividade solar não estava muito forte, mas também não era nula... então eu estava na adrenalina. Fomos à caçada com a agência Ivalo Trek (o dono, Mr. Jouni, é um querido e fez de tudo para que avistássemos as luzes). Vimos apenas um risco rápido no céu, que aparecia apenas na câmera DSLR, onde a entrada de luz é maior:


Voltei para o hotel meio triste, mas confiante e esperançosa nos próximos dias, já que ainda teríamos mais 4 oportunidades.


Para meu desespero, o céu fechou no dia seguinte, sem previsão de abrir durante nossa estadia em Saariselkä. As luzes até estavam lá, mas as nuvens encobriam.


Na segunda noite fomos caçar sozinhos, de carro, já que a Agência não tinha perspectivas de visualização. Dirigimos para o Norte, toda vida reto, sem um destino específico, apenas procurando por estrelas. Se as estrelas estão visíveis, as luzes também poderão ser vistas. Mas nada, de novo! Que angústia!


Na terceira noite, o céu continuava fechado. Angústia dobrada e, embora eu devesse ter me preparado para a possibilidade de não ver a Aurora, a verdade é que eu não me preparei coisa nenhuma, só fingi estar preparada e tentei não criar expectativas, mas falhei. Eu estava muito ansiosa, um pouco frustrada e triste por estar tão longe de casa, tão perto do meu sonho e não poder realizá-lo.


Para a quarta noite, eu já estava pirada, na pilha, estressada rsss tinha que ver as luzes a qualquer custo. Descobri que na Noruega o céu estava aberto. Nem era tão longe, só 6 horas de viagem (com a estrada coberta de neve! rsss). Eu já tinha decidido, ia sozinha, dirigindo e voltava na manhã seguinte. Bem doida!


O B vendo minha ansiedade, é claro, que não me deixou ir sozinha, embarcou comigo e lá fomos nós... pegamos a estrada rumo à Alta, a primeira cidade que vi no mapa da

Noruega e onde a previsão do tempo mostrava céu 100% aberto para aquela noite.


Viajar de carro pela neve à noite é muito arriscado, perigoso! Não aconselho repetir nossa loucura se não estiver disposto a assumir o risco.


A estrada era tomada por neve, branquinha, mal dava de ver as faixas de divisão da pista simples... renas atravessando a rodovia na maior tranquilidade... a escuridão já dando as caras às 16h da tarde... no percurso éramos nós e nós mesmos na maior parte do tempo, em alguns trechos ficávamos mais de horas sem ver outros carros, sem cidades, sem luzes, sem posto de gasolina... só escuridão e silêncio total! A escuridão chegava a dar medo quando parávamos o carro, desligávamos o farol e olhávamos para o céu...

Enfim, depois de umas 3 horas de viagem, quase na divisa com a Noruega, as estrelas começaram a aparecer, senti uma felicidade tão grande que mal cabia no meu peito. De tempos em tempos parávamos o carro e desligávamos as luzes para acostumar o olho ao escuro e procurar pela Aurora no céu. Olhávamos o céu até o frio congelar nosso corpo e sermos obrigados a voltar para o carro. Além disso, eu ia acompanhando pelo Aurora App (apps são falhos, mas melhor que nada, né?) a chegada dos ventos solares à região onde estávamos.


Meia hora antes de chegarmos em Alta, ainda distante das luzes da cidade, decidimos parar o carro em uma das áreas de estacionamento permitido ao longo da Rodovia e esperar pela chegada dos ventos solares...


Aos pouquinhos, timidamente, as luzes começaram a aparecer, era uma luz acinzentada-esverdeada no meio do céu, que vinha e sumia do nada, às vezes dançava lentamente, às vezes parava... às vezes aparecia mais forte, outras mais fraca... tiramos tantas fotos rsss



Não era uma noite de atividade solar forte, então a Aurora apareceu suavemente, mas o suficiente para ficarmos super animados com a presença dela... acho que ficamos umas 2 horas parados, olhando para o céu, tirando fotos, procurando onde ela apareceria...


Após tantas horas de viagem, que foi uma verdadeira caçada, conseguimos ver as Luzes. Não foi aquela explosão acima de nossas cabeças, como eu sempre sonhei, mas foi o suficiente para me deixar com vontade de voltar, agora com mais conhecimento e experiência... Em 2019 (jan/fev/mar/abr), quero voltar para Noruega... já estamos guardando dinheiro para quando ocorrer uma tempestade solar forte, comprar nossas passagens e embarcarmos de um dia para o outro! (será? eu e meus sonhos meio bizarros, tomara que se concretize rsss)



Quando a atividade das luzes começou a enfraquecer, o que confirmei pelo aplicativo Aurora App, resolvemos procurar um hotel para um descanso merecido, depois da intensa caçada, adrenalina e após 6 horas de direção, à noite, pelo B.


Eu já havia dado uma olhada no Booking no caminho para Alta e tinha simpatizado com um hotel chamado Scandisc. Por coincidência, passamos bem em frente dele enquanto procurávamos algum lugar para dormir, então resolvemos entrar.


Ficamos aliviados quando o recepcionista nos disse que tinham vagas, estávamos mortos!


Ao chegarmos no quarto, ficamos super empolgados, pois ganhamos um quarto com vista, pelo preço do regular. Na certa que o recepcionista ficou com pena da gente, devíamos ter cara de turistas tropicais procurando pelas Luzes do Norte em um dia de atividade solar baixa rsss..


A foto abaixo mostra a vista da janela do nosso quarto: a Northern Lights Cathedral (Catedral das Luzes do Norte). Depois, fui descobrir que esta paisagem é o cartão-postal de Alta e que o nosso hotel ficava bem no Centro da cidade:



Se a vista da nossa janela já era encantadora à noite... quando abrimos as cortinas pela manhã, ficamos ainda mais extasiados. Só lembro do B me acordando e dizendo para eu correr até a janela e ver uma surpresa.


Que paisagem incrível!!! Eu estava num fundo de tela do Windows... na escuridão da noite anterior eu nem imaginava as montanhas cobertas de neve no fundo... a vegetação aqui era tão diferente da Finlândia e eu nem imaginava, olha a diferença do cenário no escuro e nas primeiras horas da manhã:




SOBRE NOSSO HOTEL - SCANDIC ALTA


O Scandic é uma rede de hotéis bem conhecida em toda a Escandinávia, com opções também na Alemanha e Polônia.


Falando do Scandic Alta, onde nos hospedamos, gostei que as áreas de lazer são espaçosas, novas e aconchegantes; os quartos são clean, sem grandes luxos, mas bem confortáveis, no estilo de design escandinavo, simplicidade com sofisticação, sem excessos; o banheiro é espaçoso e o chuveiro é espetacular, bem quentinho e com jato forte, não precisa de mais nada no inverno.



Mas o ponto alto do Scandic foi, sem dúvidas, o buffet de café da manhã. Nos ganhou para sempre rsss!! Nas próximas viagens pela Escandinávia certamente darei preferência a esta Rede de Hotéis.


O buffet é gigante, mas com qualidade, um dos melhores cafés da manhã que já tomei ... mesa de pães, folhados, máquina de waffle (amoo!!), iogurte, vários opções de ingredientes frescos para sanduichinhos, omelete feita na hora... tinha até salmão no café, e em 3 opções de cozimento.

O que mais gostei foi o shot de bom dia, com gengibre, limão, berries e outras coisinhas mais, tomei uns 3! Naqueles dias, estava rolando as Olimpíadas de Inverno, então eles "esculpiram" os Arcos Olímpicos na melancia... pensam em todos os detalhes... ficou divertido!





NORTHERN LIGHTS CATHEDRAL


Bem em frente ao hotel que nos hospedamos, como falei, fica a Catedral que é o cartão-postal de Alta, a Northern Lights Cathedral, que no inverno, exibe uma exposição de esculturas de gelo, iluminadas de várias cores à noites. A construção é bem moderna e foi concluída em 2013, é resultado de uma competição arquitetônica lançada em 2001.




OCEANO ÁRTICO


Como estávamos na beira no Oceano Ártico, cortado por fjords, não poderíamos perder a chance de ir até a beira do mar. Eu tinha curiosidade de saber se o mar aqui congelava, como o mar de Helsinque. Resposta: não rsss!! Nem a beirinha fica congelada, água corrente direto, provavelmente pelas diferenças de corrente daqui (Oceano) e do Golfo da Finlândia, que beira Helsinque.




A ESTRADA EM ALTA


Além da grata surpresa com a vista da janela de nosso hotel pela manhã, outra grande surpresa que os raios do sol trouxeram foi o cenário das estradas de Alta, que jamais imaginávamos serem tão surpreendentes (e perigosas!), quando vistos apenas na escuridão. Havíamos viajado na noite anterior e quando entramos na Noruega, já estava bem escuro, então só o que víamos era o preto do céu e o branco da neve na estrada, como nessa imagem:


Imagina nossa surpresa quando pegamos a estrada de manhã para voltar para a Finlândia e nos deparamos com as mais lindas paisagens, como a estrada pelo meio das enormes montanhas:


>>> Veja aqui o post com o clipe da nossa viagem à Lapônia, com filmagem desta estrada linda


E também os inúmeros lagos e rios congelados pelo caminho... um dos cenários mais lindos e diferentes que já vi na vida:


Alta nos deixou com gostinho de quero mais da Noruega!

Apesar de tão próxima da Finlândia, a Noruega tem uma geografia e vegetação completamente diferente. Na Finlândia, as florestas na beira da estrada são cobertas por pinheirinhos de Natal muito fofos. Na Noruega, são árvores mais normaizinhas e a exuberância da paisagem fica por conta das maravilhosas montanhas cobertas de neve. Também a neve nos dois países é diferente (pelo menos nos dias que visitamos)... na Noruega o chão é coberto com uma fina camada de gelo escorregadio, enquanto na Finlândia são floquinhos macios que preenchem todo o solo, parecem algodão. Ambos lindos... talvez minha vontade de voltar à Noruega seja exatamente para poder experimentar estas diferenças encantadoras.


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